A música na era pré punk começou a ficar muito complicada... foi a era do progressivo com bandas com 8 teclados, uma penca de guitarras com trocentos pedais, 5 sets de baterias, sinos, canhão...
Aí você ia a um show e via aquela parafernália toda e falava "nossa! Eu nunca vou fazer isso! Isso é muito complicado...blá blá blá" e ficava vendo de longe, passivamente.
Corta para o punk rock.
1, 2 3 e rock 'n' roll.
Cru. Baixo. Bateria. Guitarra. Básico. Divertido.
Muitos passam a fazer também.
Do it yourself. Mudou tudo.
Corta pro skate moderno.
Manobras, manobras e manobras.
540, 900, switch, flip body varial crooked reverse...
Você vai a um campeonato e diz "nossa! Eu nunca vou fazer isso! Isso é muito complicado...blá blá blá" e fica vendo de longe, passivamente.
Corta para o ressurgimento do longboard.
Vento na cara. Rodas no chão.
Corta para as pistas de skate do século XXI.
Nesse novo século milhares de pistas de skate de verdade brotam - PISTAS e não palquinhos com ferrinhos e afins (só na Amérika já são mais de 2000!), curvas e mais curvas e transições e mais transições.
Velocidade. Linhas. Manobras em linhas.
O skate volta a andar novamente.
Rápido.
O skate volta a ser acessível e divertido.
Creio que o excesso de dificuldade no vert e street foi também o catalisador para que modalidades que quase nunca recebem cobertura de revistas e vídeos voltassem com força nova, como o downhill speed e o slalom, este último ressurgindo aos poucos com alguns amigos promovendo corridas de fim de semana até chegar aos grandes campeonatos mundiais como o de Hannover ou o de Paris, que é realizado no Trocadero, com a Torre Eifeil ao fundo.
Hoje, uma turminha seleta foca no profissionalismo e não na diversão.
São os famosos "atletas".
É o skate "técnico".
E para esses, ser skatista é aprender uma manobra nova a cada dia, explorar novos picos, evoluir fotografar e filmar, filmar e filmar.
Assim sendo, caras como Salba, Darrel e Alva, que andam constantemente em piscinas, em sessions insanas, não são mais "Skatistas...".
Isso sem falar nos caras do downhill botando pra baixo à milhão, sem dó ou piedade ou a galera que acelera forte por entre os cones e ladeiras. Ou me diga quando foi que estes caras aprenderam uma manobra nova? Para mim, ser skatista significa simplesmente gostar de andar de skate e a meu ver não tem nada a ver com ter de aprender manobras, evolução constante ou skate profissional.
É vento na cara, deslizar por uma superfície rígida, controlando a velocidade, numa quase emulação do surf, que foi de onde surgiu o skate.
Ultimamente, parece que quase não se anda de skate mais.
Se treina, ou então se “trabalha”. Aí tendo a necessidade de haver fotógrafos, filmadoras, gerador e etc., para que se possa registrar a "evolução".**
Com essa visão, o rolé de longboard pelo calçadão, aquela descida maneira na ladeira com amigos de fé, uma pegazinho de slalom, uma session numa pista de skate (estou falando de transições) só andando e curtindo linhas e o próprio rolé não são considerados skate...
Então é o que?
Skate é algo muito maior que apenas manobras.
É um estilo de vida, instrumento de prazer, uma forma de expressão INDIVIDUAL, suor, alegria, amigos, viagens e mais, muito mais.
E cada um tem a liberdade de fazer do seu jeito.
Que tal discutirmos isso?
Cesinha Chaves
52 anos Produtor de TV Anda de skate desde criancinha e adora curvas e velocidade.
* Você nunca é velho demais para o Rock'n'Roll se é jovem demais para morrer” - trecho da música de 1976 "Too Old to Rock 'n' Roll: Too Young to Die" do grupo Jethro Tull).
** Depois de inúmeras tentativas. finalmente acertar uma manobra inédita num local que ninguém tenha acertado ainda, sendo registrado em vídeo e foto, e nunca mais ter de repetir (fazer de novo, ou acertar de novo...) a mesma manobra no mesmo local... isso é que alguns hoje chamam de "evolução".
Mais textos em: www.brasilskate.com/cesinha/Textos.html
O que você achou do texto de Cesinha Chaves? Deixe seus comentários logo abaixo ou na caixa de mensagens.
Corta para o punk rock.
1, 2 3 e rock 'n' roll.
Cru. Baixo. Bateria. Guitarra. Básico. Divertido.
Muitos passam a fazer também.
Do it yourself. Mudou tudo.
Corta pro skate moderno.
Manobras, manobras e manobras.
540, 900, switch, flip body varial crooked reverse...
Você vai a um campeonato e diz "nossa! Eu nunca vou fazer isso! Isso é muito complicado...blá blá blá" e fica vendo de longe, passivamente.
Corta para o ressurgimento do longboard.
Vento na cara. Rodas no chão.
Corta para as pistas de skate do século XXI.
Nesse novo século milhares de pistas de skate de verdade brotam - PISTAS e não palquinhos com ferrinhos e afins (só na Amérika já são mais de 2000!), curvas e mais curvas e transições e mais transições.
Velocidade. Linhas. Manobras em linhas.
O skate volta a andar novamente.
Rápido.
O skate volta a ser acessível e divertido.
Cesinha Chaves se diverte em cima do skate
Creio que o excesso de dificuldade no vert e street foi também o catalisador para que modalidades que quase nunca recebem cobertura de revistas e vídeos voltassem com força nova, como o downhill speed e o slalom, este último ressurgindo aos poucos com alguns amigos promovendo corridas de fim de semana até chegar aos grandes campeonatos mundiais como o de Hannover ou o de Paris, que é realizado no Trocadero, com a Torre Eifeil ao fundo.
Hoje, uma turminha seleta foca no profissionalismo e não na diversão.
São os famosos "atletas".
É o skate "técnico".
E para esses, ser skatista é aprender uma manobra nova a cada dia, explorar novos picos, evoluir fotografar e filmar, filmar e filmar.
Assim sendo, caras como Salba, Darrel e Alva, que andam constantemente em piscinas, em sessions insanas, não são mais "Skatistas...".
Isso sem falar nos caras do downhill botando pra baixo à milhão, sem dó ou piedade ou a galera que acelera forte por entre os cones e ladeiras. Ou me diga quando foi que estes caras aprenderam uma manobra nova? Para mim, ser skatista significa simplesmente gostar de andar de skate e a meu ver não tem nada a ver com ter de aprender manobras, evolução constante ou skate profissional.
É vento na cara, deslizar por uma superfície rígida, controlando a velocidade, numa quase emulação do surf, que foi de onde surgiu o skate.
Ultimamente, parece que quase não se anda de skate mais.
Se treina, ou então se “trabalha”. Aí tendo a necessidade de haver fotógrafos, filmadoras, gerador e etc., para que se possa registrar a "evolução".**
Com essa visão, o rolé de longboard pelo calçadão, aquela descida maneira na ladeira com amigos de fé, uma pegazinho de slalom, uma session numa pista de skate (estou falando de transições) só andando e curtindo linhas e o próprio rolé não são considerados skate...
Então é o que?
Skate é algo muito maior que apenas manobras.
É um estilo de vida, instrumento de prazer, uma forma de expressão INDIVIDUAL, suor, alegria, amigos, viagens e mais, muito mais.
E cada um tem a liberdade de fazer do seu jeito.
Que tal discutirmos isso?
Cesinha Chaves
52 anos Produtor de TV Anda de skate desde criancinha e adora curvas e velocidade.
* Você nunca é velho demais para o Rock'n'Roll se é jovem demais para morrer” - trecho da música de 1976 "Too Old to Rock 'n' Roll: Too Young to Die" do grupo Jethro Tull).
** Depois de inúmeras tentativas. finalmente acertar uma manobra inédita num local que ninguém tenha acertado ainda, sendo registrado em vídeo e foto, e nunca mais ter de repetir (fazer de novo, ou acertar de novo...) a mesma manobra no mesmo local... isso é que alguns hoje chamam de "evolução".
Mais textos em: www.brasilskate.com/cesinha/Textos.html
O que você achou do texto de Cesinha Chaves? Deixe seus comentários logo abaixo ou na caixa de mensagens.

7 comentários:
bato palmas pra esse texto
perfeito
acho que nao via tanta logica num texto a muito tempo
É necessário comentar?
Lembro que no ano passado já discutimos isso, e minha concepção de SKATE é exatamente essa.
Vento na cara, barulho das rodas, sensação de liberdade, amigos, risadas, enfim coisas prazeirosas.
Perfeito Mestre Cesinha.
Abraço.
Cara, tem coisas interessantes neste texto, que já li ontem... rsrrsrs no site da Tribo...
Pra mim, skatista "nenhum" teria de ter a denominação de atleta, nem os "competidores"... detalhar isso, seria render muito... rsrsrs
Valeu Gian... esse texto é bem legal e é importante frizarmos a verdadeira "importância" de um skatista para o esporte...
Se não, vai acabar acontecendo o que eu li uma vez por aí...
"Porra mano, vou tentar só esse ano, se não vou procurar um trampo e desisitir disso tudo..." comentário feito por um Amador de Destaque na época e hoje "profissional" do skate... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Pra mim é um frango... e ponto final!!!
E por falar em frango??? No domingo dia 18 de Maio, teremos a inauguração oficial da pista de skate de Ipatinga com a presença "ilustre?!?!" do Mineirinho e mais o pro de street Marcus Cida e o Amador de Destaque (adoro essa frase... kkkk) Shipanzinho.... e eu na locução do evento!!!
Eu no microfone fazendo a locução do campeonato, essa turma tá pêga!!!! rrsrsrs
Abraços SKATER´s... ou ATLETAS?????
Delmon "Splinter"
Verdade pura. Esta galera com estas manobras "once in a life time" ja eram. Ta na hora do skate voltar a ser RAPIDO. Linha e velocidade sao a base do skate.
Fantástico texto.
O Cesinha realmente descreveu o que importa...
'Aproveite o Skate!'
Parabéns pela constância do blog Gian, sempre mantendo o nível dos artigos. Grande abraço!
Valeu Cesinha é isso mesmo o que acho também.
Essa crescente profissionalização do skate tá fazendo com não não se reconheça mais skate como forma de prazer, mas apenas, como uma profissão.
E por sinal, esse é o tema de minha pesquisa de graduação pra minha monografia, faço Ciências Sociais na UFPB, fim de curso.
o tema da minha pesquisa é "o processo de institucionalização do skate e seus impactos".
abraços
O texto esta de parabens.
É isso ai mesmo a mulecada que esta começando a andar acha que é so ficar atras de ser prof. parece que os caras que andam de skate sao atores de novelinha!
Andar de skate pra curti, é isso e ja era!
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